
Taí uma coisa que me lembra muito a minha avó Madalena, a vó Madá, infelizmente já falecida. Muito do que me lembro dela envolve pão! Dizem que pessoas que tem a mão boa para fazer pão são pessoas especiais. E ela era, e muito.
Era na casa dela que a criançada toda da rua se reunia, e aprontava. Mas a vó Madá sempre foi muito paciente com os netos e a criançada, ainda bem - porque já ouvimos cada história cabeluda dos nossos pais!!! Ela foi uma mãe severa uiui.
Quase todos os dias ela fazia pão, vários, e logo nós aprendemos a observar aquela bolinha de massa no copo d´água - quando subisse, era hora de correr pra mesa! No começo ficávamos pedindo pela "bundinha" do pão quentinho... e com a cara amarrada ela nos dava. Depois foi a hora dela aprender, e então começou a nos enrolar com mini pães, assim a gente parou de atormentar a vida dela! Cada um pegava um - quentinho como a gente queria - e saía correndo feliz da vida de volta pra rua!
Mas quando chovia ou estava frio ela guardava um pouco da massa do pão e fritava bolinhas pra gente, junto com uma caneca de pingado, e ficava contando histórias. Coisa de vó! Ou então, no meio da tarde antes da gente voltar pra casa, ela fazia papinha de pão - pedaços de pão numa caneca com leite morninho.
Eu cresci e por anos esqueci disso... até que ganhei de presente uma daquelas máquinas de pão e logo na primeira vez que usei, quando vi aquela massa crescendo não resisti, tirei da máquina e fritei! O marido, que deu o presente, não entendeu nada! Mas comeu tudo, claro.
Agora, sempre que estou meio triste, corro pra máquina de pão, faço a receita básica, espero a massa crescer, faço bolinhas e frito. Sem esquecer da caneca de pingado! E ao saborear essa memória me sinto mais feliz, pois minha vó realmente era uma pessoa especial.